Europa: o naufrágio demográfico

Por Guillaume Faye

A questão do naufrágio demográfico europeu, não obstante ser a mais grave de todas, a par dos fluxos migratórios massivos e incontrolados, nunca tinha sido evocada pelos governos (europeus). Porém, no princípio de Novembro (de 2004), a Alemanha, Espanha, França e Suécia dirigiram à presidência holandesa da União Europeia uma carta pedindo um «pacto europeu para a juventude, com o propósito de manter a demografia». Foi a primeira vez. De facto, há que felicitar tal gestão de urgência, mas também há que perguntar porque é que, sem esperar pelas directivas de Bruxelas, os governos nacionais não tomam nenhuma medida natalista. A resposta é evidente: numa época de apoteose da homossexualidade e da desvalorização dos laços conjugais e familiares, o natalismo está mal visto. Além disso, prefere-se financiar as “políticas sociais” a favor dos imigrantes, mesmo sendo clandestinos, que as famílias autóctones, como por exemplo a A.M.E. (ajuda médica especial) que permite aos recém chegados ilegais serem muito melhor atendidos medicamente que os próprios franceses de origem (*).

Contudo o pânico começa a apoderar-se de certos “responsáveis” políticos, dado que o barco Europeu já mete água por todos os lados. No ano 2050, os vinte e cinco Estados da União Europeia terão menos habitantes que os Estados Unidos da América, quando actualmente os ultrapassam em mais de 150 milhões. Segundo Jacques Marseille, professor de história económica e social na Sorbonne, «os europeus representarão 6,5% da população mundial, contra 12% em 2004 e 22% em 1950. Torna-se assombroso que estas evoluções sejam sistematicamente subestimadas» (semanário Le Point, edição de 18 de Novembro de 2004). Não, não é surpreendente, uma vez que o dogma dominante afirma que a imigração – isto é, a substituição da população, a mudança de povo – resolverá o problema da hemorragia humana europeia, o que é evidentemente falso tanto quantitativamente como qualitativamente. Os governos da União Europeia jamais fizeram alguma coisa para travar esta tendência dramática. As elites dirigentes, certamente suicidas, deixaram de se preocupar por completo com as gerações futuras, assim como pelo futuro do seu “povo”, obcecados como estão pelo “presentismo”.

De acordo com o relatório do gabinete demográfico da O.N.U. de Novembro de 2004, a idade média da população da União Europeia é de 38,1 anos e será de 45,8 anos em 20025, se as coisas continuarem como estão agora. A acima referida “carta dos quatro” fez um pouco de ruído, mas somente um pouco, tal como o testemunharam as conclusões do Conselho Europeu dos dias 4 e 5 de Novembro de 2004 em Bruxelas: «É necessário sublinhar o papel importante que jogam os factores demográficos no desenvolvimento económico e social da Europa». Podia-se ter dito: o papel crucial. Notemos que é unicamente devido a razões económicas e mercantis (tendo em conta o risco evidente de pauperização derivado ao envelhecimento geral) que surgiu uma demasiado tímida inquietude pelo naufrágio demográfico europeu. Poderíamos imaginar um médico que diz ao enfermeiro que apenas retira sangue que seria importante que passasse para sala de radiografias.

Os objectivos de crescimento e de competitividade que fixaram os países da União Europeia estão completamente sabotados por essa vertiginosa decadência. Se até 2050 não mudar absolutamente nada, somente a França verá a sua população aumentar para os 64 milhões de habitantes (devendo-se esse fenómeno à imigração e ao aumento da longevidade, mas que não minorará em nada o envelhecimento geral e a diminuição da população activa). O antes citado Jacques Marseille diz-nos que «a Alemanha terá perdido 12 milhões de habitantes e que dar-se-á um retrocesso populacional até aos números de 1914», a Itália, de igual forma, também perderá cerca de 12 milhões e contará com menos habitantes que em 1939, mas com duas vezes mais de idosos. As perdas de Espanha para o ano em questão são de 8 milhões de habitantes. Isto é também válido para todos os países da União Europeia sem qualquer excepção. Quanto à Turquia, que força a porta da U.E., graças ao “cavalo de Tróia” Chirac-Schröder, não tem preocupações demográficas com que se inquiete: terá aumentado 20 milhões de habitantes durante esse mesmo período de tempo. Precisemos que esse decréscimo numérico e esse envelhecimento estão acompanhados de uma “deseuropeização” da população devido ao fluxo de imigrantes, o qual apresenta faixas etárias muito jovens. Jean-Dominique Giuliani (1), no seu ensaio “Qinze+dix. Le grand élargissement”, demonstra que a população americana não envelhece, ainda que possuindo cada vez menos europeus de origem e mais sul-americanos e asiáticos, o que augura um desequilibro crescente para desgraça da Europa: «O panorama demográfico europeu é, pois, sombrio e nenhum elemento permite afirmar que o mesmo possa mudar a curto prazo».

O caso da Alemanha é o mais dramático, é trágico. O economista e banqueiro Yves-Marie Laulan (2), no seu ensaio “Allemagne, chronique d’une mort annoncée”, recorda que as crianças com menos de 15 anos constituíam 23,2% da sua população em 1950 – apesar dos milhões de mortos na guerra – e que, segundo as estatísticas da O.N.U., não representarão mais que 12,4% em 2050, mas provavelmente com uma maioria de turcos nessa franja de idade. Aqueles que tenham mais de 60 anos passarão de 14,6% para 40% durante o mesmo período. Todos sabem que um país que conta com uma metade de reformados entre a sua população, deixa de ser viável e afunda-se no empobrecimento constante dessa mesma população. 2050 é já amanhã. Estamos em relação a ele tão equidistantes como de 1954.

O senhor Laulan escreve estas frases impressionantes: «A Alemanha chegará claramente ao ponto de um colapso económico e social irreversível. Porquê? Porque em 2050 os alemães em idade activa não serão mais que 35 milhões, número ridiculamente ínfimo em relação aos encargos que terão de suportar. Não olvidemos que são 50 milhões hoje em dia. (…) O mais curioso é que os alemães falam, vivem e agem como se nada se passasse, como se ainda estivessem vivos quando a outra metade já está morta, tais são os desgraçados, que caídos nas areias movediças, persistem em debater-se, enquanto que o barro os absorve, até que sejam completamente engolidos».

Posto isto, por acaso acredita alguém que o Conselho Europeu tenha sido capaz de empreender a menor iniciativa natalista com base na referida “carta”, um tanto preocupada, dos “Quatro”? Não, propôs-se o relatório para uma posterior apreciação, em Março de 2005, durante o período correspondente à presidência luxemburguesa, e convidou-se a Comissão Europeia (com a por demais conhecida verborreia eurocrática) «a formular as proposições necessárias, tendo em conta os novos desafios que se terão de enfrentar». O canceroso adia a sua operação para mais tarde, mas “mais tarde” já estará morto.

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Notas:

Artigo retirado de J’ai Tout Compris! nº 51 e traduzido por J. Martins.

(*) Em Portugal o governo de Durão barroso promulgou uma lei, sem que o Ministério da Saúde tivesse conhecimento, autorizando a legalização imediata dos imigrantes que sofram doenças crónicas e prolongadas, como a sida. Para tal leia-se o jornal “Expresso” de 27 de Março de 2004 (N. do T.).

(1) Jean-Dominique Giuliani, presidente da Fundação Robert Schuman. “Quinze + Dix, le grand élargissement” Col. Robert Schuman. Ed. Albin Michel, Paris, 2003

(2) “Allemagne. Chronique d’une mort annocée”. Ed. François-Güilbert. Paris, 2004