Pensamento Radical – duas entrevistas a Guillaume Faye

Prefácio

Provido de um espírito clarividente e de uma escrita marcada pela fluidez, Guillaume Faye é hoje uma figura incontornável nos meios nacionalistas identitários Europeus. Partindo de uma acutilante análise dos problemas imediatos que enfrenta a Europa, Faye traça um diagnóstico arrepiante reservado, nos tempos vindouros, ao velho continente. Mergulhados na cegueira da ideologia igualitária e cosmopolita, os europeus assistem passivamente à colonização do seu território por massas alógenas, que contam com a altiva colaboração dos sectores esquerdistas e com a complacência da direita, refém do terrorismo mediático e intelectual. Assim, absorvidos por um etno-masoquismo doentio, os povos da Europa parecem renunciar voluntariamente à sua identidade etno-cultural, à terra dos seus antepassados e a um grandioso destino comum.
Porém, segundo Guillaume Faye, ainda é possível travar a inexorável marcha dos acontecimentos. A solução reside na fórmula resistência e reconquista. Através dos seus escritos, Faye fornece aos resistentes identitários autênticas munições ideológicas. Inspirado na vontade de poder Nietzscheana, reformulou todo o pensamento nacionalista, há muito absorto ora num intelectualismo estéril, ora na bazófia pseudo-revolucionária. A esse pensamento denominou de radical, entendendo radical não como sinónimo de extremismo mas antes como fundamental. Assim, tendo como ponto de partida o pensamento radical, Guillaume Faye estabelece a síntese entre o tradicionalismo e o futurismo, entre Evola e Marinetti, em oposição ao conservadorismo decrépito e ao modernismo em avançada decomposição, síntese essa que designa por Arqueofuturismo.

Guillaume Faye é um activista, na verdadeira acepção da palavra, um homem que pensa como homem de acção e que age como homem de pensamento. Frente a um sistema decadente e etnocida, Faye envolveu-se num combate sem concessões, um combate que é de todos e de cada um de nós, o combate pela identidade, pelo direito de sermos o que somos.

João M.

Principais obras de Guillaume Faye:

– L’Archeofuturisme*
– Nouveau Discours à La Nation Europèenne
– Pourquoi nous combattons
– La colonisation de l’Europe
– Avant-Guerre

Estes livros, em francês, podem ser adquiridos na Librairie Nationale, 12 Rue de La Soudrière, 75001, Paris, França –

*Existe a versão em castelhano deste livro disponível na Internet em: http://foster.20megsfree.com/faye.htm

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Entrevista realizada por Christian Bouchet para a revista Jeune Resistance, nº22, Primavera de 2001. BP 13, 06301 Nice CEDEX 04, França.

1) Você parece acreditar que a evolução lógica da imigração conduzirá a uma guerra étnica. Não crê que o sistema será capaz de gerir a situação e de a manter ao nível de uma “guerra étnica de fraca intensidade”?

É certo que o sistema é capaz, mas ele pode também ser incapaz, tal como foi incapaz de gerir os fluxos migratórios ou de evitar a implosão da educação nacional. Por outro lado, nós enfrentamos um Islão abertamente conquistador (basta informar-se sobre aquilo que se prega nas mesquitas e aquilo que se publica na imprensa interna muçulmana por toda a Europa), e uma importante massa alógena imbuída de um espírito de vingança. Além disto, assistimos actualmente à passagem de uma situação de acentuada criminalidade a uma situação de guerra étnica iminente, que não tem somente um carácter delinquente mas político, com uma tolerância incrível das autoridades para com os actos de violência exponencial dos alógenos.

Não é necessário que se dê uma explosão para que se chegue a uma guerra civil total, do tipo guerra civil espanhola. Tudo depende da percepção da população e essa é, de momento, muito baixa. Como tal, por razões estruturais, eu acredito no desencadear de uma crise económica gigante na Europa dentro de alguns anos, sinónimo da pauperização massiva, derivada da queda demográfica: cada vez menos população activa e cada vez mais reformados e pessoas a viver de subsídio, onde se incluem os imigrantes. Isso conduz à bancarrota do orçamento social. Foram as minhas longas conversas com Maurice Allais, único prémio Nobel francês em economia, que me levaram a essa hipótese. Enquanto os carrinhos de compras estiverem cheios, as desordens étnicas, mesmo as de forte intensidade, não provocarão reacções entre os autóctones. Mas a conjunção de uma pauperização galopante e de uma guerra étnica iminente podem levar àquilo que Carl Schmitt denominava ernstfall (caso de urgência ou de ponto de ruptura). Mas fique bem claro que eu não sou um profeta. Estimo que existem 50% de hipótese de uma guerra civil étnica eclodir até 2010, e que as instituições, sobrecarregadas, serão incapazes de evitar. Atenção, não se pode substituir o sistema, erro frequente nos meios radicais e no qual eu já caí. A certos dos meus detractores, que me imputam um romantismo da catástrofe, eu respondo duas coisas: 1) não se pode ter uma visão irénica e pacífica da história, na qual as catástrofes seriam definitivamente banidas e geridas por um sistema neo-liberal, racional e hiper potente 2) a futurologia pode-se enganar, mas também se pode não enganar. Zombou-se daqueles que, em 1910 e em 1938, previam uma guerra mundial, aqueles que, desde os anos 70, anunciavam a queda da U.R.S.S, etc.

2) Essa mesma crença numa conflagração, uma guerra étnica, não é ela desmobilizadora? Não é uma nova versão dos mitos de “suspense” em que a Direita National está recheada? Após ter aguardado pela tomada do poder pelo exército, o despertar da maioria silenciosa, etc. Vamos agora esperar pela guerra étnica que nos trará a vitória?

Uma vez mais, uma objecção clássica mas não válida. Enunciar as probabilidades nunca é desmobilizador. O que é desmobilizador é o discurso liberal de que tudo vai bem, tudo será resolvido, durmam em paz meus amigos. Ou o facto de minimizar as consequências da conjunção catastrófica da nossa submersão étnica e da invasão pelo Islão. Ao inverso dos intelectuais de direita que dissertam sobre pecadilhos ou que contam a sua vida enquanto o fogo devora a casa, eu falo de coisas bem reais e urgentes, de um elevado número de perigos que se desenrolam sob os nossos olhos de modo avassalador. A tomada de poder pelo exército ou o despertar da maioria silenciosa foram especulações fantasmagóricas e abstractas. Pelo contrário, a guerra civil étnica é uma possibilidade sociológica extremamente séria, e que é prevista e temida por muitos observadores franceses e estrangeiros que não têm nada de direita. Aliás, certos protagonistas já não o ocultam. Eles falam abertamente da conquista política, religiosa e étnica da Europa. Mais, eu nunca disse que a guerra étnica nos trará a vitória, nem que eu me regozijo por tal. Simplesmente disse e escrevi (o que me valeu, entre outras coisas, um processo, prova de que o sistema não é estúpido e reprime as verdades incómodas), que a guerra étnica era uma das eventuais hipóteses para resolver a quente o problema que todos conhecemos e que não se pode encontrar solução racional e pacífica a frio, porque o ponto de não retorno já foi ultrapassado. Na história, é durante as crises que as mentalidades oscilam. Entenda-se, não se trata de esperar de forma beata e passiva essa confrontação (possível, mas não certa), como uma espécie de milagre salvador! É preciso simplesmente preparar-se caso ela tenha lugar, mas também caso não tenha lugar, isto é, neste problema há uma muito longa resistência e uma reconquista. Nos dois casos a minha análise é mobilizadora e positiva.

3) Você centra a sua denúncia da imigração sobre os arabo-muçulmanos. Significa isso que você considera certas imigrações preferíveis a outra, ou seja, você prefere um Tamil politeísta ou um Ruandês católico a um Argelino muçulmano?

Objectivamente a imigração afro-magrebina muçulmana é aquela que coloca mais problemas. Ela é de longe a mais numerosa.

O importante é compreender que a minha posição é etnista e sociobiológica. Mais do que saber quem é o bom imigrante e o mau imigrante, eu raciocino, tal como fazem um indiano, um árabe, um chinês ou um zulu: por princípio, recuso que o germe do meu povo seja alterado, pois ele é a raiz da civilização. Pode-se remediar uma aculturação, mas nunca a alteração da base antropológica corroída pela mestiçagem e pela colonização alógena. A minha posição incide em três pontos: 1) aprecio todos os alógenos desde que permaneçam no seu próprio meio, não no meu. Eles próprios raciocinam da mesma maneira! 2) toda a imigração massiva é nociva e perigosa para qualquer povo, pois ela significa a gradual substituição de uma população biológica por outra, o que, na realidade, se está a realizar sob os nossos olhos, basta olhar para os números. 3) concretamente, a imigração-colonização mais perigosa está relacionada com a mais numerosa, a dos afro-magrebinos muçulmanos, os mais agressivos e conquistadores. Com isto não quero dizer que me congratule com a chegada de politeístas ou de cristãos de outros continentes.

4) Ao enfatizar os danos provocados pelos imigrantes, não é isso denunciar os efeitos sem denunciar as causas? Não julga que os verdadeiros responsáveis desta situação são aqueles que fazem vir os imigrantes, ou seja, o patronato no seu conjunto, mais do que os próprios imigrantes?

Essa objecção, muito frequentemente ouvida, carece de sentido. Compreenda que nós raciocinamos pela urgência, o que não era o caso de há vinte anos atrás. Estou de acorde que as causas da imigração-colonização se encontram primeiramente em nós. E então? Quando o barco mete água você tem duas soluções: colmatar a brecha ou fazer um inquérito para saber quem é responsável pela entrada da água; quando a casa arde, você pode chamar os bombeiros ou reflectir sabiamente sobre as causas do incêndio. Escolha. É tão necessário combater as causas como denunciar os efeitos.

Assim sendo, sou perfeitamente partidário de reflectir sobre as causas desta colonização populacional, o que aliás não paro de fazer quer nos meus escritos, quer nos meus colóquios. Porém, não nos podemos enganar nas causas! Chamo vos a atenção que, desde há quinze anos, os novos colonos não são angariados pelos patrões, não são os mais explorados, pelo contrário, são os beneficiários, atraídos pelas nossas leis sociais e pela ideologia humanitária. É preciso acabar com essa tese desonesta do imigrante-vítima, do imigrante-escravo. Raciocinemos de modo político, como fazem todos os povos da Terra que defendem o seu solo e o seu sangue, e não de modo moral. Na realidade, e nesta matéria, combater a causa e efeito é rigorosamente a mesma coisa, e esforço-me que assim seja, pois restituir aos europeus uma consciência étnica, desembaraça-los das suas patologias humanitaristas e comunitaristas, do seu etnomasoquismo, da sua xenofilia, denunciar a cumplicidade de elites manipuladoras neo-trotskistas ou ultra-liberais, é evidente incitá-los à resistência e à reconquista. Ora, é isto que não cesso de fazer! Eu denuncio as verdadeiras causas e não as falsas causas e não me deixo impressionar, ao contrário de muitos à direita, pelo mito do pobre-imigrante-que-nada-tem. Decididamente, sempre preferirei Maquiavel aos soluços dos discípulos de Bernanos…

5) Nas suas recentes obras denuncia veementemente a homossexualidade masculina e feminina como componentes da decadência dos povos europeus. Contudo, no seu livro Sexe et idéologie, editado pela Labyrinthe em 1983, você tinha uma posição muito “aberta” escrevendo, por exemplo, que preferia “os pederastas, homossexuais e travestis” aos “bichas”. Foi o seu pensamento que mudou sobre este assunto ou foi a evolução do movimento gay que modificou o seu ponto de vista?

Apenas os imbecis não mudam jamais de opinião, dizia Paul Valéry. Ora, não sendo necessariamente um imbecil, mudei de opinião sobre este assunto (tal como sobre o Islão, sendo um fervoroso apoiante nos anos 80 já não o sou mais, face aos factos e ao meu conhecimento do sujeito). Não tenho nada contra os homossexuais, tal como não tenho nada contra os vegetarianos, os coleccionadores de cápsulas de garrafas de cerveja ou adoradores de extra-terrestres. Simplesmente constato que, de normais e legítimas reivindicações de tolerância privada, os homos, por uma espécie de frustração por já não serem reprimidos, reclama uma superioridade moral, o direito público à diferença e, finalmente, os privilégios. É a homofilia obrigatória, sinónimo para mim, da desvirilização de uma sociedade. O Gay Pride (orgulho homossexual) é um espectáculo aflitivo que indica não mais uma sociedade jovem e dinâmica, mas uma sociedade decadente e fantasmagórica.

Há uma conjunção objectiva entre homofilia, anti-natalismo, etnomasoquismo e o feminismo das cotas. Já o disse inúmeras vezes que estou longe de ser um puritano, uma vez que trabalhei há muito tempo em filmes pornográficos.

A homossexualidade é um desvio que insulta a lei natural. A esse título, ela pode ser tolerada na esfera privada, mas não pode ser na esfera pública, nem adquirir um estatuto social.

6) A leitura dos seus livros não poderá conduzir logicamente a uma reviravolta nas posições do meio nacionalista inspirado pela ND (Nouvelle Droite- Nova Direita): abandono do apoio à política estrangeira do tipo Gaullista e retorno a uma solidariedade ocidental dos “povos brancos”?

Você não está equivocado. Primeiramente, a Nova Direita (isto é, o G.R.E.C.E, grupo de pesquisa e da civilização indo-europeia), essencialmente três ou quatro intelectuais principais, uma publicação trimestral e duas revistas anuais de fraca tiragem, não é mais do que a sobra daquilo que era quando a abandonei em 1986: quebra de audiência e de difusão, hemorragia de quadros, etc. A única influência política da ND foi a de tornar a FN (Frente Nacional) anti-americana. O meio nacionalista não pode de todo inspirar-se na ND na medida em que esta última não pára de desprezar e escarnecer dito meio com virulência (veja-se a esse propósito o mais recente livro de Alain de Benoist), e pelo facto de ela desenvolver teses que são objectivamente aquelas da segunda esquerda, o que, aliás, a coloca na corda bamba em relação ao público, que a vai abandonando. Ela copia totalmente as posições do Monde Diplomatique, o qual admira abertamente mas que não lhe abona qualquer respeito. A ND cometeu o erro estratégico fatal de querer tornar-se apresentável aos olhos da inteligentsia do sistema, através de uma espécie de acentuação intelectualista. Resultado: perdeu os seus amigos, porque as suas posições já não são dissidentes e o seu discurso pertence ao arco político co-intelectual tolerado pela ideologia hegemónica. Ela tornou-se numa falsa oposição, uma dissidência simulada.

As actuais teses da ND (que partilhei outrora quando era um dos seus ideólogos oficiais, mas que agora renego) são invariavelmente as mesmas desde há 25 anos e não correspondem absolutamente às questões dramáticas de hoje em dia, nem à paisagem ideológica. Esta ND envelhecida analisa erroneamente o mundo presente e futuro, paralisada pelos parâmetros intelectuais da modernidade dos anos 60, que a continuam a fascinar. Esses parâmetros consistem na recusa, sob diversas formas, do imperativo étnico e na crença numa aldeia planetária, que será o futuro, com o comunitarismo, o localismo e outras antigas manias, enquanto que, como demonstrei em L’arqueofuturisme, o futuro será (como se está a verificar) um retorno dos povos, das nações, dos blocos étnicos, de uma geopolítica de força! Dito isto, eu elaboro uma crítica objectiva e não polémica desta ND canal história, que fez um bom trabalho mas que deverá meditar sobre a sua substituição por uma segunda ND.

A ND, e reconhecendo-lhe alguns méritos, nunca deixou de ser Gaullista e pronuncia-se, tal como eu (é o nosso único ponto de convergência sério), por uma Europa totalmente independente dos Estado Unidos e desligada da OTAN, instrumento do seu imperialismo e da sua hegemonia. Sobre o Kosovo, por exemplo, nós estivemos em pleno acordo. Pelo contrário, estou em profundo desacordo com a ND no que diz respeito ao Islão, à imigração, à forma da Europa futura, à economia, à ética, à geopolítica, etc. O meu objectivo é que o conjunto do meio nacionalista (e para além dele) sigam as minhas novas posições, o que, na verdade, está a produzir-se.

Estas são essencialmente:

1. Contra o princípio de uma Europa etnopluralista e comunitarista, incluindo o Islão, mas por uma Europa etnocentrica, associada à Rússia (Eurosibéria) e assente numa política de potência.

2. Abandono radical do terceiro-mundismo, verdadeira miopia etnomasoquista, caprichos de jornalistas mal informados e complexados pela hipocrisia ética da esquerda.

3. Opor-se hoje às intenções hegemónicas do estado americano, mas nunca esquecendo que o objectivo a longo termo é uma solidariedade. Não ocidental (esta palavra nada significa e pertence ao arsenal conceptual da velha direita), mas aglutinadora de todos os povos brancos de origem europeia do Mundo, incluindo os EUA, a Austrália, a Argentina e outros, povos estes que enfrentam globalmente a mesma ameaça.

Acrescentarei evidentemente a importância do imperativo ecológico, na condição de o formular devidamente de uma maneira que não seja romântica e passional de um modo geral. Resumo num livro, que será editado em Março de 2001, “Pourquoi nous combatons”, os pontos essenciais desta visão ideológica, filosófica e política do mundo, que sucede à da antiga ND, como segunda etapa do combate em relação à primeira. A primeira etapa teve a sua importância, ela foi essencial, é preciso prestar-lhe homenagem, não me arrependo de nada, simplesmente ultrapasso-a pois o importante é estar sempre à frente, subir mais alto. Afinal não é isso que está inscrito na tradição prometaica dos europeus? Muito agradecidos à ND, ela teve o seu tempo. Como canta Sheila, “a escola terminou”. Agora, tal como dizia o meu poeta preferido, Paul Valéry, “o vento foi-se, é preciso tentar viver. E de vencer!”.

7) Outra reviravolta de posições. Com a retoma da Intifada, parece que uma parte razoável do meio nacionalista nutre mais simpatia para com a entidade sionista que para com o movimento de Libertação Nacional Palestiniano. Qual é a sua posição acerca desta questão?

Eu defini a minha posição aquando de um colóquio em Bruxelas e em mais dois outros, em Madrid e em Roma, onde essa questão me foi colocada. A minha resposta é clara: nós não temos que tomar partido no conflito entre hebreus e palestinianos. Não nos podemos deixar instrumentalizar num conflito interno entre povos do deserto. As querelas de beduínos não nos interessam. O romantismo pró árabe tal como o apoio americano-ocidental a Israel, são as causas que nos desviam das questões realmente europeias. Além disso, a médio/longo prazo o bunker Israelita, devido à questão demográfica, estará em apuros, apesar do apoio americano. Sobre este assunto muito importante remeto-vos para um artigo que publiquei num número da revista Terre et Peuple, de Pierre Vial.

É preciso que seja bem entendido, que se tenha perfeita consciência que os Palestinianos (assim como os Tibetanos, de que ninguém fala) são vítimas de uma brutal agressão. Mas, eles, será que nos apoiam? Cada um na sua casa, e não raciocinemos nunca de forma moral, mas de modo político e cínico. A partir do momento que o Islão decidiu abertamente invadir a Europa, não vejo razão para defender os seus mártires no próximo-oriente. Quanto ao sionismo, ao destino do povo judeu, etc., sou tão indiferente como em relação aos índios unnuits, aos patagónios, ou aos… palestinianos. Os Hebreus são suficientemente fortes para se defenderem a si próprios, e contar com a ajuda (que não será eterna) dos seus protectores americanos. Nós não temos que tomar partido nem pelo sionismo, nem pelo pan-arabismo. Não nos vamos intrometer nessa querela familiar. Eu sou partidário do egoísmo etnopolítico: a cada um o seu problema.

O que me diferencia de facto do meu caro amigo Jean-Edern-Hallier, e que provoca entre nós discussões apaixonadas, é que ele é partidário da causa dos povos, de todos os povos, e eu, defendo acima de tudo a causa do meu povo. Nesse sentido, um israelita, bem como um palestiniano estarão de acordo comigo não?

8) Por ocasião do seu processo, os militantes da Unité Radical (organização Identitária interdita pelo governo francês em 2002, NdT) enviaram por escrito ao seu editor propostas para pôr em prática uma campanha nacional em seu favor. Eles não obtiveram sequer um sinal de recepção das mesmas. Pode-se concluir que os radicais não têm lugar nos seus comités de apoio?

De todo. Simplesmente o processo não terminou por que se entrepôs um recurso. Uma campanha não pode em caso algum intervir antes de um primeiro julgamento. É um problema militar: a contra-ofensiva deverá efectuar-se mais tarde, no momento em que este processo seja definido pelo recurso, não tendo ainda uma data fixada. Uma campanha em meu favor deverá ser coordenada muito habilmente. Eu comecei a guerra, e arrisco-me bastante, vocês bem o sabem: não sou um desses intelectuais burgueses que contam os seus périplos por Veneza e os seus jantares finos, de pantufas calçadas, domésticos que se imaginam aristocratas rebeldes e que frequentam lugares mal afamados. Como tal, os radicais têm perfeitamente o seu lugar no meu futuro comité de apoio. É preciso simplesmente, a devido tempo organizar uma coordenação, sem iniciativas incontroladas e com a minha aprovação, com um plano de acção bem reflectido.

9) Encontram-se nos seus livros bastantes teses defendidas noutros tempos por Francis Parker Yockey e Jean Thiriart. É uma coincidência ou é você tributário ideológico deles?

Eu li “Imperium” de Yockey. Conheço muito bem as teses de Thiriart. Trata-se de uma convergência e não de inspiração. Eu não tenho outro inspirador ideológico, mestre de pensamento, que Nietzsche (e talvez também Giorgio Locchi). Thiriart e Yockey? Partilho das suas visões das coisas a cem por cento, nomeadamente a Eurosibéria etnocentrista (primeiro círculo) e a organização mundial das elites conscientes Europeias (segundo círculo). A sua observação é pertinente, pois com Yockey e Thiriart sinto-me no mesmo mundo, aquele da aplicação do preceito de vontade de poder Europeu e como tal, de resistência.

10) Para terminar, pode-nos falar dos seus projectos?

Concretamente:

Continuar a progressão de subscrições do meu boletim mensal de desintoxicação ideológica “J’ai tout compris!” que, ao fim de sete meses, é já um grande sucesso. E, se for possível, transformá-lo num mensal para o grande público amplamente difundido.

Após o meu livro “Pourquoi nous combattons. Manifeste de la résistance Européenne”, que será publicado em Março pela L’ancre e que será em parte um dicionário ideológico de 177 conceitos chave no nosso meio, tenho em vista dois outros livros que serão editado um pouco mais tarde, destinados ao grande público. Além disto, participo também num projecto de web-tv e web-radio bastante sulfuroso e corrosivo. Se isto for avante, vamos divertir-nos imenso.

Continuar as minhas conferências e colóquios em França e na Europa e aprofundar a minha colaboração com todas as boas vontades, sem nenhuma em particular. Seria bom inspirar uma rede de resistência europeia onde se reagrupem todas as forças em torno de ideias claras e sólidas, uma rede criativa e solidária, desprovida de quezílias de capelinhas, sem guerras de centuriões, federando de maneira flexível e orgânica todos os resistentes. Basta de sectarismo, cada um tem o seu lugar, seja ele quem for salvo evidentemente aqueles que se equilibram na ponta dos pés no mel ideológico do sistema. Além disso deve-se evitar a provocação extremista desastrada (a polícia ideológica não deseja senão isso) que é o inverso do pensamento radical. As estratégias políticas, metapolíticas, associativas, individuais, mediáticas são todas bem vindas se elas se coordenarem de modo proteiforme. Exactamente como fazem os nossos inimigos. Trata-se, naquilo que me diz respeito, de incitar à criação de uma rede europeia de agit-prop. Será que é pedir muito? Eu não serei o organizador, simplesmente o inspirador, o instigador. O meu projecto não é intelectual ou filosófico, nem se trata de uma placreado snob sobre a verdade, mas de fornecer as munições ideológicas e políticas concretas àqueles que resistem e que se batem pelo nosso povo, que tenham razão ou não. Admiro o adágio inglês “wrong or right, my people” (certo ou errado, é o meu povo). Agradeço-vos esta entrevista. O vosso corajoso combate é o meu.

* * *

Entrevista realizada por François Delancourt para a revista Français D’abord (órgão do Front National), BP 290, 92212 Saint Cloud, França.

1) Pode dar-nos uma definição do “politicamente correcto” e explicar como funciona?

O “politicamente correcto” é, em princípio, uma censura social do pensamento e da linguagem imposta nos E.U.A pelos meios liberais-radicais, os grupos feministas, os homossexuais e por certas minorias étnicas, com o fim de paralisar o discurso da direita republicana. Já na França, o “politicamente correcto”, mais severo que nos E.U.A, é uma velha história. Leva ao ostracismo daqueles que não seguem a linha e os discursos oficiais da ideologia hegemónica. Na universidade, nos anos 60 e 70, o anti-marxismo era politicamente incorrecto e os seus detractores diabolizados como “fascistas”. O “politicamente correcto” é a condição sine qua non para aceder aos grandes meios de comunicação e assim, não ser socialmente diabolizado. É o “politicamente chique”. Diga “grupos de jovens” e não magrebinos tumultuosos. Fale de “incidentes” e não de vandalismo. Evoque os “efeitos colaterais” provocados pela força aérea norte americana na Sérvia, mas evite sobretudo o assunto incorrecto dos bombardeamentos dos bairros do norte de Belgrado. Diga “fractura social” em vez de pauperização, mas principalmente esforce-se, se quer ser admitido no jantar no salão grande da casa Lipp Boulevard Saint-Germain, por fazer entender que desprezais os “francezitos”. Ser “politicamente correcto” implica ser etno-masoquista, é indispensável.

2) Qual é então o lugar daqueles que têm coisas para dizer e verdadeiras coisas para fazer?

Acima de tudo não é necessário que se auto censurem ou que façam discursos adocicados. Para ultrapassar a barreira do “politicamente correcto” preconizo o pensamento radical, ou seja, o pensamento verdadeiro e afirmativo de que falava Nietzsche no seu “filosofia a martelo”. Frente ao sistema é preciso aparecer como um verdadeiro inimigo e não como um falso amigo. Como escreveu Soljenitsyn, “não é senão sendo radical que o discurso dissidente pode desafiar a censura e alcançar o ouvido do povo”.

3) Por que é que a extrema-esquerda não representa uma alternativa?

Porque as suas ideias e os seus homens, os do trotskismo internacionalista e cosmopolita, já estão no poder. Porque o seu discurso social está obsoleto e está centrado na imigração e na xenofobia, sem ter em conta a defesa e protecção do verdadeiro povo francês.

4) O que lhe permite afirmar que o livre cambio cairá em breve?

As minhas opiniões são as de Maurice Allais, prémio Nobel de economia. O mundialismo livre cambista não é viável a meio termo, pois descuida as diferenças de factores de produção entre as distintas zonas e suprime as regulações económicas. É um semi-reboque com o condutor adormecido. Mas uma coisa é certa: numa auto-estrada existem sempre saídas algures.

Para ser breve, sou favorável à teoria da autarquia dos grandes espaços, um espaço europeu de economia de mercado, sem fiscalismo, nem estatismo, mas operando contingentemente sobre as importações exteriores, sobre todos os fluxos, sejam financeiros materiais ou humanos.

5) Você coloca em evidência os perigos da ascensão do integrismo religioso. Não acredita, portanto, que exista uma forma moderada de Islão?

Não, o Islão laico e moderado não existe. O Islão é uma civilização teocrática onde a fé se confunde com a lei. Assim que o Islão se torna maioritário sobre um território, os cristãos e os judeus adquirem um estatuto inferior. O Islão não conhece nem a tolerância, nem a reciprocidade, nem a caridade para com o não muçulmano, excluindo-se da Umma (comunidade de crente no Islão). A este respeito a ingenuidade dos políticos e dos prelados é estupidificante.

6) Para você, a imigração não é uma invasão, mas uma colonização populacional. A diferença não é unicamente semântica?

A França, na sua história, sofreu invasões totais ou parciais alemãs, inglesas, etc. No entanto, permaneceu sendo ela própria. Uma invasão tem um carácter militar e a sorte das armas pode mudar. A imigração actual é uma colonização populacional, perfeitamente consciente e vivida como uma vingança contra a civilização europeia. Ela pretende-se definitiva. A colonização através das maternidades, como sublinhava o General Bibeard, é não obstante mais importante que a das fronteiras porosas.

7) Regressemos, se me permite, ao domínio político. Como explica os ataques dos quais a FN é vítima desde há 15 anos?

Como dizia Jean Baudrillar em 1997, no Liberation, se a minha memória não falha, (o que lhe custou ser satanizado pelo terrorismo intelectual dos seus congéneres), “a Frente Nacional é o único partido que faz política, enquanto que os outros fazem marketing eleitoral”. Ora, o sistema detesta aqueles que fazem política e os que têm ideias ou projectos de sociedade alternativos. À parte disto, a FN assemelha-se a um médico que ousa dizer ao seu paciente que tem cancro e que tem de ser operado. É sempre desagradável de ouvir. A acusação infundada de “racismo” e “fascismo” (então empregue contra Raymond Aron em 1969, porque não era estalinista, nem marxista), não é sequer confortável para os que a proferem. São anátemas para-religiosos, excomunhões lançadas contra todo o grupo que conteste os dogmas oficiais da classe intelecto-político-mediática no poder.

8) Se o compreendo bem, os partidos do sistema formariam uma espécie de partido único a que se poderia também chamar Frente Republicana?

Vivemos num regime totalitário à ocidental mais subtil, mas parente dos regimes soviético ou iraniano. A maioria e a oposição oficial não discutem mais do que pontos de doutrina secundários, embora pertencendo à mesma ideologia, a única autorizada. Podem divergir um pouco sobre os meios mas nunca sobre os fins. Esta “frente republicana” (que na realidade usurpou escandalosamente este belo vocábulo romano Res publica, que é o conceito grego Demokratia) inclui várias vertentes, apesar de nas opções gerais estarem todos de acordo. Actualmente, e apoderando-se das personagens criadas por Hergé, o senhor Chorac assemelha-se ao capitão Haddock, comandante ébrio e sem poder a bordo do Karaboudjian que transporta ópio, e o senhor Jospin ao tenente Allen, que é o verdadeiro chefe a bordo. Que chegue rapidamente Tintim!

9) A Frente Nacional é então a única novidade política desde há 50 anos…

Isso serão os historiadores do ano 2050 que o poderão dizer. Nós chegamos a um ponto em que, como tratei de explicar no meu ensaio “L’Archeofuturisme”, vivemos uma convergência de catástrofes. Pela primeira vez desde a queda do império romano, a nossa civilização está globalmente ameaçada (etnicamente, demograficamente, culturalmente, ecologicamente, economicamente, etc.). É o “caso de urgência”, a “ernstfall” de que falava Carl Schmitt. Vivemos numa época e com problemas mais cruciais que, por exemplo, a derrota de 1940. Trata-se de salvar um povo e uma civilização. Nesse sentido, a missão e a ambição de movimentos como o vosso deve ser de ordem histórica, mais do que política. É a “grande política” no sentido Nietzscheano. Nestes tempos crepusculares, um movimento político somente poderá ter futuro se se afirmar como o único defensor de um projecto revolucionário, afirmando-se (seguindo a genial táctica de Charles de Gaulle em 1940) como o último recurso. O essencial não está em ser uma novidade política, o essencial é, na verdade, impor-se como novidade histórica.