A “discriminação positiva” é racista e sexista

Guillaume Faye, in “L’Archéofuturisme

Na verdade, a affirmative action cria um discurso racialista, quase racista, porque necessita de uma definição das “raças a ajudar”. É necessário também ajudar os árabes e os coreanos? Uma “escala racial” de superioridade/inferioridade estabelece-se implicitamente, produzida pela ideologia anti-racista… Nos Estados Unidos, muitos representantes das minorias sentiram-se humilhados de entrar na categoria dos beneficiários das “discriminações positivas”. Recentemente, em França, uma escritora de origem africana assinou uma petição para exigir uma quota obrigatória de negros na televisão.
Em todos estes casos se assemelham as mulheres, os negros, etc. a anormais congénitos, a subdotados que, por comiseração, devem ser ajudados. Que humilhação! Deve humilhar-se o “macho branco” para que os demais possam ter uma parte da sobremesa, o que supõe que o “macho branco” é superior por definição? Consequência: deve desvalorizar-se autoritariamente o suposto super-homem para que os demais possam ocupar o seu lugar. É dizer que as mulheres e os negros são vítimas perpétuas que, congenitamente, necessitam de ser ajudados, débeis que devem ser protegidos continuamente da opressão.

No final, a ideologia anti-racista, igualitarista e feminista dá o aval à inferiorização racista ou sexista. Se eu fosse negro, estaria realmente furioso por ser tomado por um incapaz permanente, que deve ser assistido perpetuamente!

Por outro lado, quando se impõe autoritariamente uma quota de 50% de mulheres nos candidatos dos partidos políticos, a ideologia igualitária contradiz os princípios da igualdade e desvaloriza a santa “causa das mulheres”. Com efeito, se a maioria dos candidatos é masculina, não é porque as mulheres estejam afastadas voluntariamente, mas porque não há candidatas suficientes. Com uma lei paritária, vai impor-se à força um número importante de candidatas necessariamente medíocres, como quando Juppé, para parecer “moderno”, queria seis ministras no seu governo, despedidas muito pouco tempo depois por incompetência… A propósito, noutras profissões “civilmente capitais”, como a magistratura ou o ensino secundário, onde as mulheres constituem a grande maioria, porque não impor uma quota de 50% de homens? E na medicina e na cirurgia, onde os homens são particularmente maioritários, porque não impor uma quota de 50% de mulheres, por dois concursos separados? Mas neste caso há um problema: os igualitaristas, os grandes burgueses da esquerda bem-pensante, partidários da discriminação positiva, provavelmente não queriam ser operados por “cirurgiãs” de talento duvidoso.

Mais longe, porque não aplicar, além das quotas de sexos, umas quotas étnicas, para a composição desta sociedade multi-racial, tão querida pela esquerda igualitária? A Air France seria obrigada – mediante contratação separada em “colégios étnicos” – a contratar uma determinada percentagem de pilotos de origem africana, de origem magrebina, etc. Mas isto não veremos nunca. Os intelectuais igualitários não estão tão loucos…

Assim, a discriminação positiva, cujos fins são anti-racistas e anti-sexistas… conduz a sexualizar e racializar a sociedade. Por outro lado, pode notar-se que o igualitarismo, quando tenta aplicar os seus princípios até às suas consequências lógicas, perverte-os, torna-os absurdos e contraditórios. A igualdade de sortes não conduz à igualdade de resultados? Assim se vai impor, pela força, a igualdade de resultados, destruir a igualdade de sortes, fundamento essencial da ideologia igualitária … Unicamente porque esta última recusa dogmaticamente reconhecer a desigualdade das capacidades que regem os indivíduos entre si e os grupos entre si. A Natureza não tem as nossas ideias? Vamos acabar com a Natureza por decreto, como já fizemos várias vezes na História. Programa amplo e caminho simples até à catástrofe! Mas, apesar de tudo, é melhor assim. Como diz um provérbio índio: “quando o teu inimigo está a dançar num telhado, deixa-o fazê-lo e aplaude a proeza…”