O imperativo da homogeneidade étnica

Guillaume Faye, “l’Archéofuturisme”, L’Aencre, 1998

Um dos preconceitos mais correntemente conhecidos é que a indulgência para com os imigrantes, que o anti-racismo militante, a discriminação positiva, etc., estão de acordo com a “tradição humanista europeia”. Desse modo, os “direitos do homem”, abusivamente atribuídos a esta tradição humanista, opôr-se-iam aos riscos de tirania e de fascismo induzidos pelas doutrinas da preferência nacional ou da preferência étnica. Trata-se de um desvio de tradição. Os “direitos do homem” são um simulacro desfigurado do humanismo clássico. É necessário esclarecer, pelo contrário, que o humanismo clássico, e nomeadamente o grego, defende a Cidade como um conjunto étnico homogéneo. Inversamente, o humanitarismo multi-étnico opõe-se frontalmente à tradição democrática greco-europeia e não pode senão desembocar únicamente na desarmonia social e no despotismo.

É mérito dos trabalhos do Círculo Nação e Humanismo de Yvan Blot, sobretudo com os estudos que este último consagrou a Aristóteles, ter mostrado que as raizes da democracia e do viver em conjunto da filosofia política grega eram fundadas sobre as noções de homogeneidade de origem da Cidade, e na de separação rigorosa entre os cidadãos e os metoikoï, os estrangeiros.

Na sua Política, Aristóteles define em primeiro lugar a noção de apátrida, de “cidadão do mundo”, muito em voga na ideologia cosmopolita moderna, ou seja do indivíduo abstracto e desenraizado que tem o direito de se instalar onde bem lhe parece.

“A Cidade faz parte das coisas naturais e o homem é por natureza um animal político.” Aquele que não tem pátria é, por um lado, um ser degradado, e por outro, um ser que está abaixo das normas humanas. Ele é como aquele que é insultado por Hómero, sem linhagem, sem lei, sem lar”, afirmava o filósofo grego.

“Na democracia ateniense clássica, onde o imposto directo não existia porque era considerado como tirânico, só os “métécos” (metoïkoï, estrangeiros residentes, uma expressão pejorativa) pagavam uma contribuição, o preço da sua aceitação na Cidade. Concepção totalmente oposta à nossa que presenteia os estrangeiros com prestações sociais e facilidades recusadas aos cidadãos.

O respeito dos Gregos para com as Leis (oï nomoï) da Cidade teria sido incompatível com uma declaração universal dos direitos do homem abstracta e desenraizada, bem como com a infracção permanente às leis da República, que constituem as regularizações administrativas de clandestinos ou a recusa de expulsão dos delinquentes, por humanitarismo; o que constitui um acto tirânico para com os cidadãos e o legislador democrático.

Périclès, que não se pode suspeitar de pré-fascismo, reforçou em Atenas a noção considerada hoje diabólica de preferência nacional ou, de forma mais exacta, preferência étnica. Rejeitando qualquer noção de direito do solo (é Ateniense quem nasce em Atenas), reforçou pelo contrário o direito do sangue. Fez votar que, para ser Ateniense, a criança devia ter os seus dois pais, e não somente um, de cidadania ateniense. Na época, os tiranos, como em Siracusa, haviam considerado utilizar o direito do solo, ou seja, naturalizar profusamente os estrangeiros, para submergir o povo autóctone e abulir toda a hipótese de democracia. É o que se passa hoje. Se, num diálogo imaginário, Périclès encontrasse os líderes imigracionistas actuais franceses, chamar-lhes-ia, provavelmente, aprendizes-de-tiranos.

Os Gregos inventaram a noção de filia, pertinentemente definida por Jean-Marie Le Pen durante um colóquio como “a fraternidade, a benevolência hierarquizada, uma espécie de amizade que une os cidadãos entre si, de acordo com a ordem natural [… ] ela exerce-se antes de mais na família, depois na relação com os amigos, seguidamente com os compatriotas.” Conforme Aristóteles “é claro que vale mais passar o dia com os amigos e pessoas excelentes, do que com estrangeiros e recém-chegados.”

Esta filia grega opõe-se evidentemente aos preceitos evangélicos impraticáveis do “todos os homens são meus irmãos”. A filia grega é humanista, porque é desigual, hierarquizada, conforme com a natureza. Prefiro o meu irmão de sangue ao estrangeiro, mas nunca pensaria a fazer mal ao estrangeiro amigável. E ele agirá da mesmo maneira para comigo, na sua própria comunidade, no seu país. O humanismo desigual respeita a ordem natural; não mente. O humanitarisme igualitário e utópico mente. Ele conduz à tirania, esse inferno pavimentado de boas intenções.

Esta tirania que corremos o risco de conhecer em breve, no seguimento ao possível eclodir de uma guerra étnica… evoca Aristóteles também, essa guerra civil, e detecta as mesmas causas de forma idêntica, propondo uma definição étnica, ou seja humanista, clássica da Cidade: “Na mesma medida em que os cidadãos não respiram o mesmo ar, também é factor de guerra civil a ausência de comunidade étnica.” O mesmo que dizer que uma cidade não se forma a partir de uma massa de pessoas tomadas aleatoriamente. É por isso que, entre os que têm, até ao presente, aceite estrangeiros para com eles fundar uma cidade ou para os integrar na cidade, a maior parte conheceu guerras civis”. Boa descrição das questões actuais, velha de 2400 anos…
Ainda de acordo com Aristóteles, uma cidade harmoniosa não pode ser senão fundada sobre o parentesco étnico e cultural. Na sua obra histórica e filosófica, Aristóteles enumera, como Thucídides, todos os desastres a que conduziu o acolhimento excessivo de estrangeiros e o direito de asilo sistemático nas cidades gregas: os Samos acolhidos pelos habitantes de Zancle e que são perseguidos pelos seus hóspedes, as pessoas de Amfipolis perseguidos pelos colonos de Chalcis, os quais eles haviam imprudentemente aceite, os de Siracusa à beira de uma guerra civil com os mercenários estrangeiros que eles haviam recrutado, a mesma situação em Bizâncio, a mesma coisa em Antissa, onde os refugiados Chios, tornaram-se sediciosos, ainda são persiguidos militarmente. Tenhamos em mente que um povo demasiado acolhedor pode vir a ser perseguido na sua própria casa. Viu-se isso no Kosovo sérvio. Vê-lo-emos talvez, para começar, em certas províncias da França.

Todo o humanismo, histórico ou filosófico da Antiguidade clássica, não cessa de repetir esta evidência de que o humanitarisme moderno esqueceu: misturar os povos é contrário à harmonia humana e divina. Aristóteles explica “assim como à guerra, a travessia de riachos negligenciáveis desloca as falanges, do mesmo modo, qualquer heterogeneidade numa cidade provoca conflitos interiores”. Jean-Marie Pen disse, comentando Aristóteles, durante o colóquio supracitado “uma cidade deve, por conseguinte, ser homogénea dado que descansa sobre a liberdade cidadãos.” Só as tiranias, como os Impérios do Oriente ou do Egipto podem se permtir ter povos heterogéneos sob a sua autoridade.”

A verdade é que a heterogeneidade actual da população francesa mina totalmente as bases da liberdade (e da “república” no sentido romano), pondo em causa a democracia, introduzindo privilégios sociais impróprios e injustiças, destruíndo a universalidade da lei, introduzindo os regulamentos comunitários específicos. Para o humanismo clássico – que esquecerá o Baixo-Império Romano em proveito do universalismo cosmopolita cristão – o fundamento da liberdade dos cidadãos é a homogeneidade da Cidade. A tirania de tipo oriental do final do Império Romano estava vinculada em grande parte, como o mostrou André Lama (Dieux et des Empereurs, EDE) ao seu excessivo mosaico étnico. Querer conciliar, como se acredita hoje, uma França multirracial e uma França democrática, é uma ilusão, é querer casar a carpa e o coelho. Como viu Aristóteles, uma cidade multi-étnica conduz quer à tirania quer à a anarquia.