Eurosibéria

Guillaume Faye, L’Archeofuturisme, L’Aencre, 1998

Celtas, germanos, gregos, eslavos, escandinavos, latinos, iberos, ou mais exactamente nós, seus descendentes, temos que nos pensar agora como um povo único, herdeiros de uma mesma terra, uma imensa pátria com recursos colossais em matérias primas e em energias humanas, nascida de uma História comum. Na menor das hipóteses, do Atlântico às portas da Rússia. Na hipótese desejável (a qual teremos sempre que defender), a eurosiberiana, que podemos chamar paradigma da “Grande Europa”: de Brest a Bering, o mais extenso territorio político unificado de toda a história da humanidade, extendido sobre quatorze meridianos. “Somente existe a política para os que aspiram ao grande, ao muito grande”, dizia Nietzsche.

A nossa fronteira está sobre o Amur, frente à China. Sobre o Atlântico e o Pacífico, frente à república imperial norte-americana, superpotência única mas cujo declive geo-estratégico e cultural já está programado para o primeiro quarto do Século XXI -segundo Zbignew Brezinski, não obstante ser apologista da potência norte-americana. Sobre o Mediterrâneo e o Cáucaso, frente ao bloco muçulmano (menos dividido do que se pensa), o qual será a principal fonte de ameaças, mas também, se formos fortes, uma excelente região parceira…

Temos a sorte, nós, descendentes de povos-irmãos, de possuir um espaço potencial que poderia constituir para os nossos filhos aquilo que sonhou Carlos V e que este não soube manter: “um Império sobre o qual nunca se pôe o Sol”. Quando é meio-dia em Brest, são duas da madrugada no nosso estreito de Bering. É um ideal, quiçá um dos poucos que ainda dispomos nestes tempos pessimistas, nesta Idade Obscura: construir o nosso Império, este sonho que nos anima. Os grandes projectos não se decretam com solenidade, mas antes constroiem-se no silêncio dos gabinetes e são realizados pelos predadores que observam, que aguardam que um desastre histórico faça sair a alarmada presa do bosque. O inconsciente dos povos será sempre o duro pedestal sobre o qual se apoiarão os chefes revolucionários. A constituição de um conjunto eurosiberiano seria, num olhar da História humana, uma revolução muito mais importante que a efémera construção da Unão Soviética ou a dos Estados Unidos da América. Este acontecimento de alcance mundial somente poderia comparar-se à edificação do Império Chinês ou do Império Romano. Agora, apesar de motivos explícitos, ou pelo menos viciados, a família está a agrupar-se no seio da Casa Comum. Como no passado, há 2 400 anos, os Gregos frente aos Persas, unimos as nossas cidades para fazer face à ameaça já perceptível. A Grande Europa tem que ser pacífica e democrática, mas autónoma, infléxivel e invencível, inclusive, evidentemente, na esfera tecno-económica. Pora quê ser imperialista quando já se é um Império? A lógica imperial impor-se-à a todos os povos da Terra. Cada povo na sua terra, para defender-se das paixões dos demais, para administrar, eficientemente, o destino da nave espacial Terra.

O acontecimento caótico que estamos a viver, devido a este agrupamento desordenado dos europeus, e que somente pode ser ordenado pela reconstituição, sob outras formas e maiores ainda, da recurrência histórica não do Império Romano, centrado sobre o Mediterrâneo, mas sim do Império Romano-Germânico, centrado sobre a grande superfície eurosiberiana, hoje, aberta sobre quatro mares: tanto Leviatã como Beemote. amanhã: da enseada de Brest à de Port-Arthur, das nossas ilhas geladas do Ártico ao Sol vitorioso de Creta, das planícies às estepes e dos fiordes aos países baixos, cem nações livres e unidas, agrupadas num Império que poderia, quem sabe, denominar-se o que Tácito chamava o Reino da Terra, Orbis Terrae Regnum.