Do crepúsculo à aurora: síntese de uma Visão do Mundo

Conferência realizada por Guillaume Faye em Moscovo a 17.05.2005

Nunca, desde a queda do Império Romano, viveu a Europa uma situação tão dramática. Enfrenta a maior ameaça da sua História e não o sabe ou, pior ainda, recusa vê-la.Os europeus são invadidos, ocupados e colonizados por povos do Sul e pelo Islão de maneira rápida e maciça. Também estão, e por sua exclusiva culpa, sujeitos à ascendência dos Estados Unidos, que com eles travam uma impiedosa guerra económica. Sem esquecer a derrocada demográfica: falta de renovação das gerações e envelhecimento generalizado. Estão castrados pelas ideologias decadentes e niilistas, ornamentados com um optimismo artificial, vítimas de uma regressão da cultura e da educação pelo primitivismo e pelo materialismo. A Europa é o doente do mundo. E as classes políticas, bem como os escóis intelectuais, são os colaboradores desse suicídio étnico. A tese que defendo é de que não se trata de uma «imigração» mas de uma colonização e de uma invasão, as quais estão prestes a modificar o fundo biológico e etnocultural da Europa; mas, também, que não se deve ceder ao desespero, que os combates apenas começaram, que os povos da mesma origem se devem unir.

1. A DESTRUIÇÃO DO ALICERCE ETNOBIOLÓGICO

O balanço demográfico da invasão alógena da França e da Europa é aterrador. Um demógrafo reconhecia num livro recente, ‘La France Africaine’, que se nada mudar, em 2040 mais de 50% da população será negra ou árabe. Já, na França e na Bélgica, 25% dos colegiais não são de origem europeia, e mais de 30% entre as crianças de mama. Actualmente, em França, em 61 milhões de habitantes, contam-se largamente mais de 10 milhões de pessoas de origem extra-europeia, em crescimento constante, com natalidade bem superior à dos autóctones. Em cada ano, 100.000 não europeus são naturalizados franceses e 300.000 alógenos, os quais, sendo a maioria clandestina, penetram em França, cujas fronteiras já não são protegidas. A situação é a mesma em toda a Europa, e estes factos talvez anunciem o fim de uma civilização comum. Evidentemente, as classes dirigentes fingem nada ver.

Além disso, matematicamente, a raça branca declina no mundo inteiro, incluindo nos EUA. Diz-se que a superioridade tecnológica atenuará isso, mas não creio: não há riquezas senão nos homens. Uma civilização é fundada sobre o que os romanos chamavam o «gérmen», quer dizer, o alicerce etnobiológico, as raízes da árvore que alimentam a cultura e a civilização.

Esta invasão étnica maciça foi, em França e na Europa, voluntariamente provocada, a partir dos anos 60, pelo laxismo dos políticos de esquerda e de direita, poluídos pelas ideias trotskistas e marxistas, pela cupidez de um patronato ávido de mão de obra barata, pela influência dos intelectuais judeus que exigiam uma «sociedade multirracial», pelo imperativo da religião dos direitos do homem, cujas raízes derivam da laicização da moral Cristã.

Estes «colaboradores da invasão», em França e na Europa, instauraram uma verdadeira preferência estrangeira em detrimento dos cidadãos autóctones: poucos imigrados clandestinos são expulsos, beneficiando de numerosas vantagens sociais e privilégios de toda a espécie; devido ao «imperativo anti-racista», não são punidos e são frequentemente protegidos por leis discriminatórias, se bem que a sua presença tenha feito explodir a criminalidade em proporções colossais (mais de 1.000% em cinquenta anos).

Somos invadidos tanto pelas maternidades como pelas fronteiras porosas. A imigração, aliada ao declínio demográfico, será também para a Europa Ocidental um desastre económico. O custo dessa imigração foi avaliado em 140 mil milhões de euros por ano em França, além do custo da insegurança e das numerosas ajudas sociais pagas aos imigrantes, mesmo que ilegais. Tal funciona como uma bomba aspirante. É melhor ser um clandestino desempregado na Europa do que trabalhar no terceiro mundo. Os quadros e os criadores expatriam-se, principalmente para os EUA, substituídos por populações não qualificadas vindas de África, que são bocas a alimentar e não braços e cérebros.

Estes factos, acrescentados ao envelhecimento da população, significam que no século XXI a economia europeia se arrisca a tornar-se «terceiro mundista» e de soçobrar numa inelutável depressão.

2. A 3ª OFENSIVA HISTÓRICA DO ISLÃO

A este fenómeno de colonização étnica maciça, acrescenta-se o facto de o islão assumir a frente da ofensiva. Desde há 1.300 anos, obstinadamente, essa religião-ideologia, totalitária e agressiva, visa a invasão da Europa. Nós sofremos a sua terceira ofensiva histórica, que se estende hoje de Gibraltar à Indonésia. A primeira foi travada em Poitiers, França, por Carlos Martel, em 732; a segunda, em 1684, nas muralhas de Viena cercada pelos otomanos; a terceira desenrola-se hoje. O islão tem uma longa memória e o seu objectivo é a instauração em todo o nosso continente daquilo que Khomeiny chamava o «califado universal».
A invasão da Europa começou e os números são alarmantes. O continente, Rússia incluída, conta perto de 55 milhões de muçulmanos, em progressão de 6% ao ano. Em França, enumeram-se já 6 milhões de maometanos. Tal como na Bélgica e na Grã-Bretanha, exigem estar associados ao poder político. O governo francês faz mal ao não tomar a sério o objectivo de transformar o país numa «república islâmica» após 2020, quando o peso demográfico dos árabes-muçulmanos se tornará determinante. O Estado financia a construção de mesquitas para comprar a paz social; contam-se já mais de 2.000, ou seja, o dobro das existentes em Marrocos. O islão é a segunda religião em França à vista do Catolicismo e a primeira praticada. Jacques Chirac – é verdade – declarou: «a França é agora uma potência muçulmana».

Por toda a parte do Ocidente se instalou a crença estúpida de que existiria diferença entre o islão e o «islamismo» e que um islão «laico» e ocidentalizado, ou moderado, seria possível. Nada disso. Qualquer muçulmano é um mudjaíde em potência; o islão é uma teocracia que confunde o espiritual com o temporal, a fé com a lei, e quer impor a Chária em toda a parte, sendo todos os seus preceitos inconciliáveis com os da nossa civilização.

Os Estados muçulmanos que cooperam com os EUA na sua «luta antiterrorista» são completamente hipócritas, em particular a Arábia e o Paquistão. Quando o islão ainda está fraco, pratica o imperativo corânico de astúcia e de dissimulação, mas a djiade, a guerra de conquista, é o dever supremo. O terrorismo, assim como a invasão do interior pela imigração, são implicitamente recomendadas no Corão.

3. O INÍCIO DA GUERRA CIVIL ÉTNICA NA EUROPA

A criminalidade e a delinquência na Europa Ocidental, cujas causas são, simultaneamente, a imigração em massa e a queda dos valores cívicos, atingiram níveis insuportáveis. Em França, em 2004, mais de 100.000 viaturas foram incendiadas e 80 polícias mortos. Todas as semanas estalam motins raciais nos arrabaldes: nas escolas públicas, a violência torna-se endémica e o nível escolar desaba nas turmas «multinacionais». Há mais de 20% de analfabetos na juventude de menos de 20 anos. As agressões contra os brancos multiplicam-se, mas são negadas em nome da vulgata anti-racista, segundo a qual só os europeus de raiz podem ser racistas. Ao mesmo tempo, é montado em vários países um arsenal repressivo digno do comunismo soviético, que nos faz sair progressivamente do Estado de Direito e entrar num Direito ideológico e subjectivo. Na prática, toda a crítica da imigração e do islão está proibida. Eu próprio fui submetido a múltiplos processos e condenado a uma enorme multa por um dos meus livros, ‘La colonisation de L’Europe’.

É de prever uma guerra civil étnica em vários países da União Europeia, guerra intestina, muito mais grave do que o «terrorismo». Porque uma substituição de população, uma espécie de genocídio está em curso com a cumplicidade ou a cegueira das classes dirigentes, políticas e mediáticas, cuja ideologia está dominada pelo ódio da identidade étnica dos seus próprios povos, e pela paixão mórbida do imperativo da mestiçagem.

O Estado francês falha totalmente na sua utopia de «integração na República», porque imagina que, num território, é possível a coexistência pacífica entre alógenos e autóctones. Não leram Aristóteles, o qual pensava que, não importa em que Cidade, a harmonia e a democracia não são possíveis se não existir homogeneidade e conivência étnicas, parentesco cultural, noção que o filósofo chamava «philia» ou «amizade natural». As sociedades europeias afundam-se hoje num caos étnico impossível de gerir.
Por exemplo, eu, que sou nativo do sudoeste da França, das margens do Atlântico, e não falo uma palavra de russo, sinto-me infinitamente mais próximo de um russo do que de um árabe ou de um africano francófonos, mesmo que cidadãos franceses.

4. CRISE MORAL E ARQUEOFUTURISMO

Essa situação explica-se, quase clinicamente, por uma espécie de «sida mental». As desgraças que nos chegam são provocadas pelo vírus de um niilismo interior, que Nietzsche já tinha compreendido, um desabamento das defesas vitais. Os europeus entraram num processo de suicídio da sua própria descendência. Abrem voluntariamente as portas das suas cidades.
O primeiro sintoma é a «xenofilia», ou preferência sistemática pelo estrangeiro, pelo «outro» mais do que pelo próximo. O segundo é o «etnomasoquismo», quer dizer, a vergonha e o ódio da sua própria civilização e das suas origens. O terceiro é a «desvirilização», ou, dito de outro modo, o culto da fraqueza, do arrependimento, mas também a preferência dada agora à homossexualidade masculina. Os valores evidentes que fazem a força e condicionam a sobrevivência de todos os povos na História são hoje considerados, no Ocidente, como taras ridículas: honra, fidelidade, família, fecundidade demográfica (natalidade), orgulho da sua civilização, patriotismo, vontade de sobrevivência na História, etc.. Mas esta decadência é também o feito de uma laicização dos princípios de caridade universal do Cristianismo e do seu postulado central de igualitarismo individual, através da ideologia dos direitos do homem.

Talvez os europeus se devam inspirar em certos valores que ainda correm na Rússia, segundo o que me disseram: por exemplo, a consciência explícita de pertencer a uma civilização superior e a afirmação de um «direito à distância». É preciso romper com o «etnopluralismo», que é uma forma de igualitarismo, reivindicar o «etnocentrismo» e o direito de viver em sua terra sem o «outro». É preciso não culpar o «cada um em sua terra». Aliás, só os ocidentais crêem nas virtudes da mestiçagem, e vêm o mundo futuro como um melting pot [assim, no original – N.T.]. Só a ingénua Europa crê no cosmopolitismo. O século XXI será dominado pelo reforço, sobretudo no Sul e no Oriente, de grandes blocos etno-religiosos homogéneos. O «fim da História» de Francis Fukuyama não acontecerá. Iremos assistir a uma aceleração da História, num ambiente de «choque de civilizações». E depois, os europeus devem romper com o «presentismo» em que caíram, e encarar-se de novo (à imagem do islão ou da China, ou da Índia) como «povos de vida longa», portadores de futuro. Não poderão operar essa revolução mental senão por ocasião de uma crise gigante, de um choque violento, que provavelmente se produzirá e do qual falarei mais adiante.

Os tempos vindouros serão, como expliquei num livro de título eponímico, «arqueofuturistas», quer dizer, em que se fechará o parêntesis envenenado e antivital da modernidade. Vamos assistir ao ressurgimento de valores arcaicos vitais, e dele não sairão senão os povos que souberem associar o regresso das tradições e da ordem sociobiológica à tecnociência futurista. Para os europeus, como evidentemente para os russos, os valores arqueofuturistas são simultaneamente faustianos e ancestrais, à imagem da árvore cujas raízes crescem sob o solo, enquanto o tronco e a folhagem sobem para o céu.

5. O NOVO IMPERIALISMO AMERICANO

Os europeus também devem enfrentar aquilo que eu chamei, num dos meus últimos livros, «o novo imperialismo americano», muito mais duro do que o da guerra-fria, mas também mais inábil. Desde a queda da URSS, os governos americanos escolheram a descortesia, o «ubris», visando de maneira quimérica uma dominação mundial, por uma espécie de simulacro de novo império romano. Tudo isso se explica pela ideologia dos neoconservadores, muitos ligados aos lóbbies [assim, no original – N.T.] sionistas, mas animados por um messianismo de «missão divina», que chega à patologia.

Quais são os objectivos deste novo imperialismo americano? Cercar e neutralizar a Rússia, impedir qualquer aliança forte entre esta última e uma grande Europa (pesadelo do Pentágono); retirar toda a substância ao rival europeu, fazendo entrar o islão no seu seio (por exemplo, a Turquia, que os americanos patrocinam), sujeitando completamente os países da Europa Central e Oriental do antigo império soviético, travando uma guerra económica impiedosa com a União Europeia, à qual esta última nem sequer ousa responder.

A cruzada americana para impor a «democracia» em toda a parte, principalmente na periferia da Rússia, é nítida. «Democracia» significa «regime pró americano».

Mas não nos devemos queixar desse jogo americano, conforme a um desejo geoestratégico e talassocrático de dominar o continente. Na História, cada um é responsável pela sua sorte.

Por isso, sempre me opus ao que chamei «anti-americanismo obsessivo e histérico» muito presente em França, mas contraproducente, vitimizador e irresponsabilizador. É preciso distinguir o «adversário principal» do «inimigo principal». O primeiro procura dominar e enfraquecer, o segundo visa matar. Não esqueçamos a fórmula de Carl Schmitt: «não és só tu que escolhes e designas o teu inimigo, é sobretudo ele que te designa». A América, e sobretudo os seus dirigentes, são o «adversário principal» da Europa e da Rússia nos âmbitos geoestratégico, económico e cultural. O «inimigo principal» são os povos do Sul que, mais das vezes sob a bandeira do islão, procedem à invasão do continente, sem esquecer os seus cúmplices, todos os colaboradores da classe política e intelectual que lhes abrem as portas, com a mais evidente e maior satisfação de Washington, que deseja uma Europa mestiça e sem identidade.

Os atlantistas, bem como os antiamericanos passionais, contudo, sobrestimam os EUA, sem compreender que estes só são fortes pela nossa fraqueza. A sua catastrófica – e contraprodutiva – ocupação do pequeno Iraque, onde não levam senão o caos, está aí para o demonstrar. No século XXI, os EUA já não serão a primeira potência mundial. Será a China ou, se o quisermos, o que eu chamo adiante a «Eurosibéria», quer dizer, a aliança unitária entra a Europa peninsular e a Rússia.

A CONVERGÊNCIA DAS CATÁSTROFES

Emiti a hipótese de que a civilização mundial actual, baseada nas «crenças de milagres» e no mito do desenvolvimento ilimitado, arrisca-se a desabar no meio do século XXI. Existem, pela primeira vez na História da humanidade, «linhas dramartúgicas», ameaças de crise gigante que convergem para o horizonte de 2010-2020, e que podem provocar um ponto de ruptura: degradação do ecossistema e grandes perturbações climáticas; esgotamento de energias fósseis (petróleo) e dos recursos agrícolas ou haliêuticos, fragilização de uma economia mundial especulativa e endividada; regresso das epidemias; escalada dos nacionalismos, dos terrorismos e proliferação nuclear; agravamento da ofensiva mundial do islão; envelhecimento dramático das populações dos países ricos, o qual, conjugado com a imigração em massa, pode traduzir-se numa recessão económica sem precedentes.

É preciso que nos preparemos para essa catástrofe gigante que será a passagem de uma era para outra, que varrerá a «modernidade» e em que se instalará, talvez durante um tempo, uma Nova Idade Média. Essa catástrofe poderá ser ocasião para um renascimento, porque, na História, toda a regeneração de uma civilização passa pelo caos, sobretudo quando essa civilização é, como a nossa, «metamórfica».

EUROSIBÉRIA

A Europa futura não pode ser encarada sob a forma indolente e ingovernável da actual União Europeia, que é uma medusa sem poder soberano, de fronteiras abertas, dominada pelo dogma do comércio livre [livre comércio, sim; produção livre, não. No que à produção se refere, não há diferença entre Bruxelas e um soviete de produção planificada e centralizada – N.T.], submetido à vontade americana e à OTAN. É preciso pensar numa grande Europa imperial e federal, etnicamente homogénea (quer dizer, «europeia»), baseada em grandes regiões autónomas e, sobretudo, indefectivelmente aliada à Rússia. A este enorme bloco continental chamei «Eurosibéria». Este ouriço gigante, que em nada seria ofensivo mas simplesmente inatacável, seria de longe a primeira potência mundial (o mundo vindouro será dos grandes blocos) e, sobretudo, deveria ser «autocentrado» e romper com os muito perigosos dogmas da mundialização. Teria perfeitamente os meios de praticar a «autarcia dos grandes espaços», da qual, com o Prémio Nobel da Economia francês, Maurice Allais, desenvolvi os princípios. O destino da Europa peninsular não pode ser separado do da imensa Rússia por razões etnoculturais e geopolíticas. Bem entendido, impedir o nascimento de tal Eurosibéria é um imperativo vital para a talassocracia mercantil americana que (em contradição com a sua apregoada luta contra o terrorismo islâmico) encoraja cinicamente o islão a implantar-se na União Europeia e na Rússia.

Não falei aqui do Estado de Israel. Uma palavra, no entanto: por razões demográficas, creio que a utopia sionista fundada por Hertzl e Buber e realizada desde 1949, não viverá mais tempo do que a utopia comunista e que, a prazo, o Estado hebreu está condenado. Actualmente preparo um ensaio sobre «A Nova Questão Judaica» e espero que seja traduzido para russo.

CONCLUSÃO

Nunca se deve ser fatalista. A História está sempre aberta e apresenta muitas vezes caprichos e reviravoltas inesperadas. Não esqueçamos o aforismo de Guilherme de Orange: «onde houver uma vontade, há um caminho». Neste momento, estamos numa fase de resistência e de preparação para acontecimentos muito graves que se anunciam, por exemplo, a conjunção de guerras étnicas e de uma recessão económica gigante. Assim, é necessário desde agora pensar no pós-caos e organizar-se em consequência. Para terminar, eis a palavra de ordem que eu difundo frequentemente: «da resistência à reconquista, da reconquista à renascença».