Direitos Humanos, propaganda moralista

Guillaume Faye: Porquoi nous combattons, L’Aencre 2001

Aparelho central da ideologia moderna do progresso e do igualitarismo individualista, e meio pelo qual se instaura uma polícia do pensamento assim como a destruição dos direitos dos povos.

Síntese da filosofia política (a menos que mal entendida) do século XVIII, a propaganda moralista é um horizonte inevitável da ideologia dominante. Com o anti-racismo, funciona um dos dispositivos centrais do acondicionamento mental colectivo, do pensamento fácil e da paralisia de toda a rebelião. Profundamente hipócrita, a ideologia dos direitos humanos adapta-se a toda a miséria social e justifica todas as opressões. Funciona como uma verdadeira religião laica. “O homem” é aqui um ser abstracto, um consumidor-cliente, um átomo dos laços comunitários e das suas propriedades diferenciais. É surpreendente constatar que a ideologia dos direitos humanos foi formulada pela Convenção da Revolução francesa imitando a dos puritanos americanos.

A ideologia dos direitos humanos conseguiu legitimar-se baseando-se em duas fraudes históricas: a caridade e a filantropia, assim como a da liberdade.

“O Homem” (conceito já de si bastante vago) não possui direitos universais e fixos, mas sim apenas os que derivam de cada civilização, de cada tradição. Aos direitos humanos, é necessário opor dois conceitos fulcrais: o dos direitos do povo (o “direito das gentes”) à identidade, e o da justiça, este último conceito sendo variável conforme as culturas e supondo que todos o indivíduos são também respeitáveis. Mas estes dois conceitos não poderiam basear-se na preconcepção de um homem universal abstracto, mas sim nos direitos de homens concretos, situados em culturas particulares.

Criticar a religião laica dos direitos humanos não é obviamente fazer a apologia da barbárie, visto que ideologia dos direitos humanos garantiu em várias ocasiões a opressão (o massacre dos Vendeanos e dos índios da América).

A ideologia dos direitos humanos foi o pretexto de perseguições. Em nome do “bem”.

Não representa de alguma forma a protecção do indivíduo, não mais que o comunismo. Pelo contrário, impõe-se como novo sistema opressivo, fundado sobre liberdades formais. Em seu nome, vai-se legitimar, o menosprezo de toda a democracia, a colonização da população da Europa (qualquer um tem o “direito” de se instalar na Europa), a tolerância face às delinquências libertinas, as guerras de agressão (Servia, Iraque, etc.) que se reclama no “direito de má gerência”, a impossibilidade de expulsão dos trabalhadores colonizadores; mas esta ideologia não se pronuncia sobre a contaminação massiva do meio ambiente e sobre o caos social causado pela economia globalizada.

E sobretudo, a ideologia dos direitos humanos é hoje, um meio estratégico para desarmar o povo europeu culpabilizando-o em todos os âmbitos. É o legitimar do desarme e da paralisia. Os direitos humanos são uma espécie de inversão perversa da caridade cristã e do dogma igualitário segundo o qual todos os homens se salvariam.

A ideologia dos direitos humanos é a principal e actual arma de destruição da identidade dos povos e da colonização da Europa.